Contra Returns

B

Quer me desafiar? Pode vir!

O famoso "guerreiro mais forte da Contra". Na crise do Exército GX, Bill foi forçado a enfrentar seu mentor, o Coronel Bloodaxe, que estava sendo controlado pelos alienígenas. Quando não está em missão, ele se dedica a encontrar Melinda, a filha do mentor.

É fim de tarde, o sol está se pondo rapidamente no horizonte. O topo da colina lança uma longa sombra nas águas do Rio Colorado, densa e imponente num minuto, quase imperceptível no seguinte. Bill Rizer, já há algum tempo pendurado na lateral de uma colina, chega ao topo sem esforço dando uma volta de 180 graus com um movimento hábil. O brilho do sol já não está tão forte, por isso Bill pode aproveitar a vista de todo o cânion à sua frente sem ter que apertar os olhos. Às vezes, os raios do sol se pondo refletiam em uma pedra ou cascalho ao longe no ângulo perfeito, criando clarões não muito diferentes do brilho das estrelas.

Bill pega um belo charuto de uma caixa e inala profundamente. O nariz dele se enche com as notas suaves de cacau, características dos autênticos charutos cubanos. É um aroma do qual ele não consegue se livrar, assim como as lembranças da Melinda. Bill Rizer pode ser um membro veterano da Equipe Contra, e o "guerreiro mais forte", mas ele também é sentimental. Por quase um ano, Bill esteve cruzando o mundo todo em busca da Melinda. Ele está pronto para partir a cada nova pista. Além do amor dele por Melinda, um profundo senso de responsabilidade o motiva. Ele considerou sair da Equipe Contra para dedicar todo seu tempo à busca, mas a Contra é uma obrigação que ele não consegue simplesmente abandonar. Por razões que só Melinda conhece, ela decidiu não ver Bill nunca mais. Tudo o que ela pode fazer agora é esperar que Bill volte são e salvo de todas as missões.

Bill brinca com a caixa de charutos na mão. É uma caixa linda, com detalhes prateados sobre a madeira de cedro. A caixa foi um presente da Melinda. Essa agora é a única conexão que Bill tem com Melinda. Todo o resto está soterrado em alguma parte do cânion. Nos dias de folga, Bill gosta de visitar o cânion sozinho. Aqui ele tem todo o espaço de que precisa para ser ele mesmo e pensar...

Em meio aos sons de um helicóptero em aproximação, uma voz soa: "Rizer! Responda se está me ouvindo!" É a voz do Coronel Bahamut.

"Sim, senhor!" Bill fica de pé em um pulo e acena para o helicóptero.

"Acabou sua licença. Suba, estamos voltando para a base. A Operadora Tina vai passar os detalhes da missão."

"Sim, senhor!" Bill agarra a escada de corda do helicóptero, que faz uma curva rápida para se afastar do topo da colina.

"Bill, por que você ainda está aí?" A voz vem de Lance Bean. Já se passou algum tempo, Bill devia estar a bordo do helicóptero.

"Tenho que terminar o charuto primeiro," Bill responde sem hesitar enquanto se segura na escada com um braço e continua tragando seu Havana com a outra mão. A corrente de ar criada pelas pás da hélice sobre ele manda a fumaça do charuto para baixo, além de fazer o cabelo loiro bater contra seu rosto. Os pés dele balançam precariamente a poucos metros do topo das colinas, que logo ficam para trás.

O helicóptero parte para o oeste, em direção ao sol que está se pondo, e notas de uma melodia familiar são ouvidas no helicóptero...

A noite envolve o helicóptero assim que Bill entra nele.

"Lance, meu velho, por onde você andou?" Bill empurra Lance com o cotovelo de forma brincalhona e recebe uma cotovelada amigável de volta. Os dois começam a lutar no espaço apertado da cabine enquanto zombam um do outro. É como se Bill nunca tivesse ficado longe e os dois garotos tivessem se reencontrado depois de apenas um dia.

Um voo longo pode ser cansativo, mas Bill passa o tempo todo bem acordado, vendo seus companheiros partirem para a terra dos sonhos ou só parando para descansar os olhos. Bill já salvou Lance na ilha antes, e Lance já salvou Pulse. Ele e Lance também resgataram a Operadora Tina uma vez. Bill achava que essa era a vida de um soldado: matar pessoas, resgatar pessoas e ser resgatado em troca. Exato, o Bill foi resgatado uma vez... tanto o corpo como a alma dele. O Coronel Bloodaxe, seu mentor e pai da Melinda, o salvou do Exército GX.

Antes de entrar para a recém-fundada Equipe Contra do Coronel Bahamut, Bill era o braço direito do Coronel Bloodaxe. Na época, o Coronel Bloodaxe representava para Bill o que Bill é para os jovens recrutas da equipe hoje: um mentor paciente que lutou bravamente com seus homens nas piores situações.

Em 2634, Bill, que já era o "guerreiro mais forte", recebeu ordens de investigar as misteriosas circunstâncias que envolviam o Exército GX. Algo naquele caso o deixou um tanto inquieto. E se houvesse alguma relação com o que aconteceu no Arquipélago Galuga no ano anterior?

A visão que Bill teve quando o helicóptero se aproximou da base do Exército GX foi um choque e tanto. A base toda estava mergulhada em um mar de chamas. Os agentes e pessoal do Exército GX estava sob controle dos alienígenas e começaram a destruir a base. As estruturas estavam sendo devastadas uma a uma, e os veículos, incendiados. Alvo atrás de alvo era atacado por uma multidão.

O helicóptero de Bill pousou em uma encosta no perímetro externo da base, e ele avistou um homem cambaleando em sua direção. Era o Coronel, seu mestre, com o rosto horrendamente desfigurado pelo controle alienígena. "Coronel..." A palavra mal havia sido pronunciada quando Bill viu o Coronel levantar sua arma e começar a atirar contra o helicóptero. Essa cena foi quase imediatamente seguida pelos sons de balas atingindo metal, a poucos centímetros de distância. Só o que Bill podia fazer era disparar tiros de advertência. Com o helicóptero entre eles, os dois se enfrentaram por algum tempo, até que ambos ficaram sem munição. O Coronel atacou seu pupilo brandindo seu machado de combate, que sempre carregava consigo. Bill respondeu levantando sua adaga, numa tentativa de bloquear o golpe do Coronel. Os dois caíram no chão enquanto lutavam, um tentando superar o outro. O machado do Coronel atingiu de raspão o pescoço de Bill, fazendo surgir um filete de sangue. Foi neste momento crítico que o Coronel hesitou, retomando a consciência por um breve instante. Mas era tarde demais para Bill recuar, a adaga já estava cravada no peito do seu mentor...

"Mas, Coronel... Por quê?"

"Tudo bem, Bill. Eu sempre disse que você deve atentar a tudo no campo de batalha."

"Vou tirar o senhor daqui!"

"Não, esqueça..." O Coronel desabou e disse para Bill, com muita dificuldade: "Encontre... Melinda... Não importa o que aconteça... a ela... Vá... Faça... o que for necessário..."

A respiração difícil do Coronel parou de forma suave. Ele passou a seu protegido a oportunidade de continuar vivo e sua missão de vida. Foi nesse momento que Bill decidiu que buscaria vingança. Ele deve despertar para ser um verdadeiro guerreiro Contra!
O helicóptero agora pairava sobre o campo de pouso da base, prestes a tocar o solo. Com uma Gatling na porta do helicóptero, Bill admira o céu noturno. O céu está bem limpo e estrelado hoje...

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B

Disseram que você quer testar a arma nova que eu criei.

No meio da batalha, com sua aldeia natal sendo arrasada, Lance sobreviveu. Ele se tornou um mercenário ainda jovem, recebendo a alcunha de "Morte" por sua incrível capacidade de sobreviver, mesmo quando todos ao redor haviam caído. E, com o tempo, seu nome real foi esquecido. Ele conheceu Bill Rizer quando foi capturado pelo Exército da Comunidade das Nações em uma missão. Bill, impressionado com a demonstração de lealdade e caráter de Lance, convenceu os fuzileiros navais a abrigá-lo.

"Bingo!" O novo fuzil de assalto a laser quântico com propósito duplo estava concluído. No entanto, o êxtase de Lance não durou mais que um instante. Afinal, isso não passava de um dia de trabalho para ele. "Ei, pega aí!" Lance joga a arma para Bill, que estava entediado há dias enquanto Lance trabalhava em seu projeto. "Lá vamos nós de novo... É apenas outra arma..." Bill murmura enquanto sai da sala.

Segundos depois, Bill escancara a porta e grita: "LANCE! Que raio de arma é essa?!"

Lance, imperturbável, sequer ergue a cabeça para olhar. Ele espera que Bill diga mais. Isso não era algo incomum para ele, especialmente quando Lance tinha acabado de inventar um brinquedo novo. "Então, o que você explodiu desta vez...?" Lance pergunta ironicamente.

"Bem, você estava demorando tanto que eu quase caí no sono! A trava de segurança não estava ativada, e eu meio que não prestei atenção, então acabei puxando o gatilho por acidente e... Enfim, A Sala de Troca de Calor Solar-Laser... se foi..." Bill fala da porta, com um tom sério.

"Hmm, e qual era essa mesmo?" Lance pergunta, franzindo as sobrancelhas.

"A sala da caldeira."

"E?" Lance sai correndo para dar uma olhada rápida.

"A Estação de Profilaxia da Epiderme Humana ficará fora de serviço hoje."

"Certo, e essa é?"

"Os chuveiros não têm mais água quente..."

Lance para, se vira e estreita os olhos para encarar Bill. Está claro que Bill terá grandes problemas. Com sorte, Lance pode impedir o Coronel Bahamut de perder as estribeiras.

Lance Bean, lendário membro da Equipe Contra e Mestre em Armas. Todas as armas usadas pela Equipe Contra vêm direto da oficina de Lance. Correm boatos entre seus companheiros que Lance começou a modificar armas quando não passava de um menino. Ninguém sabe ao certo (afinal, você sabe como as pessoas gostam de contar histórias), mas esse boato em particular era verdade. Mal sabiam eles que não apenas o lendário Lance começou a modificar armas quando ainda era pequeno, mas a primeira vítima a morrer em suas mãos era na verdade um membro dos fuzileiros navais...

As habilidades e instintos de Lance surgiram graças a um incêndio monstruoso. Suas primeiras lembranças envolvem imagens de uma aldeia sendo arrasada, gritos angustiados e cadáveres ao seu redor. Sempre que ele se lembra dessas imagens sangrentas, é como se pudesse ouvir os berros de desespero. Mas algo que ele não guardou nessas memórias foi a dor de ver a família morrer em seus braços. A próxima coisa de que ele se lembra é o ambiente escaldante do deserto.

Lá, um grupo de crianças-soldados caminhava sob o sol impiedoso. Soldados adultos marchavam ao lado, gritando com eles por serem lentos demais. Eles tinham que alcançar o acampamento inimigo antes de escurecer, a qualquer custo.

E, claro, houve a batalha.

Sim, Lance, o jovem órfão, foi recrutado como criança-soldado e treinado para se tornar a máquina de guerra mais cruel e perigosa que os mercenários tinham. O jovem Lance caminhava inexpressivo por entre as fileiras com mais de uma centena de crianças-soldados. Ele usou uma Gatling para lançar uma saraivada de balas contra o inimigo, seus movimentos suaves e tranquilos como se estivesse se sentando para jantar. Quando ele voltou a si, percebeu que as crianças ao seu redor estavam mortas. Lance estava sozinho, pois os outros já haviam recuado, acreditando que ele tivesse morrido.

Coberto de sangue e segurando um pequeno pacote de peças obtidas no campo de batalha, Lance conseguiu encontrar o caminho de volta até as outras tropas percorrendo os rastros de pegadas deixados para trás. Ele ressurgiu no acampamento como um leão que voltou da caçada. Ele foi se sentar sozinho a um canto e começou a mexer nas peças e em alguns pedaços de metal que tinha em mãos. Em pouco tempo, ele montou uma enorme metralhadora que fazia seu corpo jovem parecer ainda menor. Mas foi a visão do minúsculo Lance segurando uma arma colossal enquanto emergia repetidamente das pilhas de cadáveres que lhe rendeu sua reputação em combate.

Então, alguém começou a chamá-lo de "Menino da Morte".

Mais batalhas se seguiram, e as pessoas começaram a tirar o "Menino" do nome... Lance e sua metralhadora eliminavam todos os inimigos, sem exceção, e os outros mercenários começaram a chamá-lo de "Morte Impiedosa". Quem poderia derrotar a própria morte?

Bill Rizer, com o cabelo loiro curto, formava a dupla perfeita com a cabeleira azul do Lance. A bela história de Bill Rizer e Lance Bean começa em uma batalha árdua entre as Águias Imperiais de Lance e os fuzileiros navais de Bill. "Amizade" era um conceito inédito entre mercenários. Havia apenas a vida, a morte e muito dinheiro envolvido. Foi durante esse encontro que um Lance ainda jovem foi traído por seus aliados e capturado pelos fuzileiros navais de Bill. Seu destino seria a tortura e o interrogatório mais brutal que se possa imaginar. Lance já sabia que esse fim era comum para um mercenário. Para ele, morrer era apenas mais um fato da vida.

Lance estava pronto quando o loiro reapareceu. Mas ele vinha com outra proposta para Lance: liberdade. Bill disse a Lance que ele não tinha por que permanecer leal a um bando de gente que o abandonou e o deixou à mercê do inimigo. Bill já havia conseguido eliminar todos eles, então, de certa forma, ele retaliou em nome de Lance. Não só isso, como Bill também conseguiu garantir a liberdade de Lance. Então, além de tudo, ela era também seu benfeitor. Lance poderia se juntar a ele nos fuzileiros navais, se quisesse. Claro que ele não tinha outra escolha.

Lance ficou em silêncio.

"Aquele show que você deu agora foi muito impressionante, se quiser minha opinião." Bill decidiu mudar de tática e passou a tecer elogios. Mesmo que Bill tentasse manter o tom leve e casual, estava claro pelo seu olhar que ele estava falando sério.

"Ah, esqueci de me apresentar. Meu nome é Bill Rizer. Todos chamam você de 'Morte', mas qual é o seu nome real?"

Foi nesse momento que ele sentiu como se algo o tivesse atingido. Lance tinha sido a "Morte" por tanto tempo que quase esquecera seu nome real: Lance Bean. E assim, Lance deixou de ser "Morte", voltou ao que era e se tornou o mais novo membro dos fuzileiros navais.

As experiências na infância fizeram de Lance o homem solitário e de poucas palavras que ele é hoje, embora também o tenham tornado calmo, forte e perseverante. Todas essas qualidades fizeram de Lance o pilar dos fuzileiros navais, depois que ele deixou de ser um lobo solitário.

Uma vez, enquanto cumpria uma missão em uma ilha, Lance foi cercado pelos inimigos. Ele havia levado alguns tiros, e seu equipamento de comunicação estava em pedaços. Ele estava encurralado, com o inimigo vindo de todos os lados. Foi nesse momento que ele avistou um cocuruto loiro avançando pela vegetação rasteira. A doce música de uma Gatling logo soou, e os inimigos começaram a cair como dominós por todos os lados. Bill e Lance acabaram com o resto deles juntos. O inimigo havia formado um bloqueio na ilha, então a dupla viveu da terra por um mês inteiro. Nesse período, Bill tomou todos os cuidados com Lance, que estava gravemente ferido, cuidando dele enquanto caçava e coletava suprimentos. Bill realmente se tornou o benfeitor de Lance. Pela primeira vez, Lance percebeu o real significado de "companheiro", e ele e Bill logo viraram amigos. Lance e Bill se tornaram uma dupla dinâmica em campo, trabalhando juntos batalha após batalha para cumprir os objetivos das missões.

Com o tempo, Lance mudou. Ele ficou mais atento às necessidades dos outros e mais consciente de suas próprias emoções. Na Equipe Contra, em particular, ele finalmente se sentiu em casa. O comportamento juvenil de Bill, a insistência incessante da Operadora Tina e a maneira estranha como Pulse fazia Lance lembrar de si mesmo... Mesmo que, na maior parte do tempo, Lance ainda seja a presença solitária e silenciosa que sempre foi, especialmente quando está trabalhando em alguma arma nova dentro do arsenal, sua nova família na Equipe Contra o fez mudar. Ele aceita mais os outros e está mais disposto a se dedicar a eles. Um novo Lance surgiu na Equipe Contra. Acontece que a "Morte" tinha um nome esse tempo todo, e era Lance Bean.

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S atiradora fantasma

Sinta o gostinho do meu canhão, depois a gente conversa!

Alice começou a aprender a arte do combate com um misterioso mentor quando ainda era jovem. Aos 16 anos, ela se juntou ao governo da Federação da Terra em busca de vingança pelos falecidos pais. Entretanto, ela acabou sendo designada para um trabalho burocrático. Somente dois anos depois ela foi transferida para os fuzileiros navais como subtenente, devido a suas incríveis habilidades físicas. Ela jurou que entraria em combate em nome daqueles que amava.

No ano de 2626, a Europa foi reconstruída após a destruição total nas mãos da Comunidade das Nações. A paz de outrora parecia estar finalmente de volta. Mas, no fundo, todos sabiam que a paz e a tranquilidade não durariam muito, e que uma tormenta se formava no horizonte.

Eram sete da manhã, e a terra era acariciada suavemente pelos raios matinais do sol. As águas do rio Thelenbach ganharam um leve brilho dourado. Também brilhava ao sol da manhã o pingente em forma de cruz que pendia do pescoço de Alice.

Ela usava uma boina antiquada e estava sob uma enorme macieira ao lado de sua mãe. Parecia uma pintura de John Constable. Foi nesse momento que ela avistou um besouro no sapato. "Eca, que nojo!" ela exclamou, batendo os pés para tentar se livrar do inseto. A mãe de Alice pegou o besouro nas mãos e o colocou gentilmente sob a árvore. Então, ela começou a ensinar uma música para Alice. Os sons das duas cantando podiam ser ouvidos do outro lado da água...

Dez minutos depois, um ônibus escolar surgiu na esquina. Alice ergueu o braço e começou a acenar, embora o ônibus ainda estivesse afastado. Com um grande sorriso no rosto, ela correu até o banco do motorista para abraçar o pai. Alice, aos seis anos, estudava em uma escola religiosa, onde sua mãe dava aulas de história e seu pai dirigia o ônibus escolar. Todas as manhãs, Alice se arrastava para fora da cama enquanto os sons de seu pai fechando a porta da frente percorriam a casa e o cheiro de torradas sinalizavam o início de mais um belo dia. O pai começava indo até a escola para pegar o ônibus e depois voltava em busca de Alice e da mãe. Para Alice, o ônibus escolar era como sua segunda casa, e os colegas eram como seus irmãos e irmãs. A pequena Alice era uma menina levada, que criava confusão com os amigos assim que entrava no ônibus. Às vezes, ela até desafiava os meninos mais velhos, na parte de trás do ônibus, para uma queda de braço. Apesar das constantes reclamações da mãe sobre segurança e decoro, Alice continuava brincando do jeito que ela preferia, fazendo ecoar sua risada por todo o ônibus. Nessas horas, o pai desacelerava um pouco, olhava para a filha pelo retrovisor e apenas admirava o momento.

As crianças na escola religiosa costumavam praticar um jogo em que reencenavam uma cena da Bíblia. Alice sempre exercia o papel daquela que levaria todos para fora da escuridão, aquela que sempre encontrava a saída mais rápida. Sua personagem sempre era a mais corajosa, a mais inteligente e aquela que enfrentava o inimigo de frente. Alice acreditava firmemente que era uma mensageira que havia recebido a palavra de Deus, e que sua tarefa era erradicar o mal na Terra e espalhar a mensagem do amor aonde quer que fosse.

Mas, às vezes, a vida tinha outros planos. E isso era algo que intrigava Alice. Onde estaria Deus nessas horas? Um dia, após uma viagem, Alice decidiu voltar a pé para casa, em vez de pegar o ônibus. Ela viu um grupo de pessoas de aparência suspeita ao redor de uma figura pequena e encolhida. Parecia um roubo. Alice correu até o grupo, ergueu o pingente em forma de cruz no pescoço e disse em nome de Deus Todo-Poderoso:

"Pare agora, Deus está vendo vocês!" O grupo começou a rir dela.

"Larguem ele! Me levem no lugar!", ela gritou. Alice queria trazer os bandidos à razão com seu sacrifício. "Pai nosso que estais no céu... fazei nascer o seu sol sobre os bons e os maus, e fazei chover sobre os justos e os injustos..." Alice recitava os versos quando um punho surgiu do nada e a mandou voando contra o chão, a alguma distância. Ela se sentou e continuou: "Ao que te ferir numa face, oferece-lhe também a outra..."

Uma mão suja alcançou a cruz pendurada em seu pescoço, e ela ouviu uma voz dizendo: "Isso deve valer alguma coisa."

"Devolva, seu bandido!" Alice se lançou para frente, agarrou a mão e a mordeu com força. Ela foi lançada no chão novamente. De repente, uma pessoa misteriosa toda vestida de preto apareceu e subjugou os bandidos. Então, devolveu a cruz para ela. Alice, que estava prestes a chorar, tentou manter as emoções sob controle, ao mesmo tempo em que tentava alcançar a pessoa misteriosa, antes que ela partisse. No entanto, quando Alice dobrou a esquina, não viu mais ninguém. "Procurando por mim, senhorita?" A pessoa misteriosa reapareceu de repente atrás dela.

"Poderia me ensinar o que você fez agora?", pediu ela.

"Mas o seu Deus concordaria com isso?" A pessoa misteriosa perguntou de volta.

Alice não tinha certeza de como responder. Ela deve amar os inimigos, ou enfrentar a violência com violência? Aos seis anos, essa era uma pergunta para a qual ela ainda não tinha resposta. No entanto, ela nasceu para ser uma guerreira. Ela não apenas tinha fé, como também sabia pensar rápido e era ágil. E, claro, ela sabia amar. Isso era algo que a pessoa misteriosa havia reconhecido.

Alice começou aulas regulares com o novo mentor. Todo fim de semana, ela fugia até um ponto de encontro designado e fazia aula de artes marciais e táticas de combate.

Num piscar de olhos, dez anos se passaram.

No ano de 2636, os alienígenas lançaram um ataque total à Terra.

A tormenta enfim chegou.

Eram sete da manhã e, mais uma vez, Alice estava parada junto à macieira cantando uma melodia. Agora, ela estava no ensino médio, mas ainda esperava junto com a mãe para acenar assim que seu pai viesse buscá-la. O ônibus escolar dobrou a esquina na direção delas como sempre. Mas uma bomba caiu bem onde o ônibus estava, explodindo instantaneamente. Sua mãe ficou chocada com a cena e não conseguia se mover. Alice agarrou a mãe pela mão e começou a correr, fugindo até chegar em casa. Então, ela foi até a garagem no subterrâneo e pegou a metralhadora que havia escondido lá. Ela iria lutar. A fumaça encheu os céus acima do Thelenbach, e as macieiras foram arrancadas uma a uma pelos projéteis sem fim... Diante desse ataque dos alienígenas, Alice não conseguiu salvar uma única alma. Seu avô havia morrido na guerra da Comunidade das Nações, e agora, Deus havia tirado seus dois pais, ambos no mesmo dia. Alice foi tomada pela dor.

Então, ela viu seu mentor misterioso novamente. Mas, dessa vez, ele não estava lá para lhe dar uma lição sobre táticas de combate ou artes marciais. Em vez disso, ele contou a Alice uma história sobre Deus e o homem. Era uma história sobre como o poder de acabar com a guerra não estava com Deus, mas nas mãos dos seres humanos.

Depois que o mentor misterioso partiu, Alice foi até a igreja. Lá, ela perguntou a Deus: "Pai nosso que estais no céu: o que é o amor?" Mas ela não obteve resposta. "O que significa o Seu silêncio?" Alice não se intimidou. Mesmo assim, ela não obteve resposta. Alice teria que encontrar a própria resposta, sozinha. Embora ela amasse seus pais e as pessoas do mundo, ela jamais poderia amar o inimigo. Se ela tivesse que amá-lo, faria isso o matando.

Alice saiu do que restava da igreja, determinada a entrar para o governo da Federação da Terra. Ela usaria tudo em seu poder para proteger aqueles que amava. Ela iria para a guerra! A entrevista de emprego foi fácil, e Alice nem precisou passar por um exame físico. Sua empolgação, contudo, foi destruída no primeiro dia de trabalho: o que ela havia conseguido era um trabalho administrativo na Federação da Terra. Tudo o que ela precisava fazer, dia após dia, era enviar documentos de um escritório para o outro. Em vez do uniforme de combate que ela esperava, recebeu um terninho formal e adequado, junto de um saltinho básico. Alice ficou consternada. Toda vez que Alice andava pelos corredores do escritório com uma pilha de documentos nos braços, ela atraía olhares como se fosse um animal gracioso no zoológico. Os homens, em particular, tinham um olhar que dizia: "Eu não me importaria de levar essa belezinha para casa. Afinal, alguém tem que fazer o café da manhã!" Mas não era isso que Alice estava procurando.

Ela foi procurar seu mentor misterioso, esperando que pudesse ajudá-la. No entanto, a porta estava fechada e trancada, e seu mentor não estava em lugar nenhum. Talvez fosse a hora de começar a confiar em si mesma.

Mas sua oportunidade de brilhar não tardou. Um espião do Falcão Rubro que tentou invadir a sala de documentos foi descoberto e fez uma refém. Alice, que por acaso estava ali, correu, ergueu a cruz de seu pescoço e disse, em nome de Deus Todo-Poderoso:

"Pare agora, Deus está vendo você!" Isso foi seguido de uma risada rouca.

Alice deu um passo à frente e continuou: "Largue ela! Me leve no lugar!" O espião estendeu a mão, agarrou Alice e logo colocou o braço em volta do pescoço dela.

"Hmm... O que é isso? Sua fé? E quanto vale isso?" O espião perguntou enquanto estendia a mão na direção da cruz em seu peito, mas Alice logo o interrompeu:

"Seu bandido!" Num piscar de olhos, Alice subjugou o intruso e entregou-o aos policiais que chegavam no local.

Os superiores de Alice concordaram que ela poderia ser transferida para uma unidade de combate assim que atendesse aos critérios de aptidão física.

Ao começar seu treinamento, Alice disse a si mesma: "Mexer com papelada? Isso não é para mim!"

Dois anos depois, Alice havia atingido um nível de aptidão física incrível. Aos 18 anos, ela foi descoberta pelo Coronel Bahamut e transferida para os fuzileiros navais como subtenente.

Na base, Bill aproximou-se de Lance e disse, despreocupadamente: "Olha só, recebemos essa beldade hoje. Foi transferida do escritório. Fiquei sabendo que ela servia café por lá." Lance ergueu a cabeça para dar uma olhada. Alice entrou no quartel-general com o uniforme de combate. Ela olhou para Sheena quando entrou correndo na sala: "Aquela menina com orelhas de coelho é adorável! Ela também é uma combatente promissora?" "Oh! Isso é um cachorrinho? Que amor! Quem é um bom menino?!" "Hmm. Mas eu tenho que tomar cuidado com aqueles dois caras ali, parecem durões..." Alice analisou cuidadosamente cada uma das figuras neste novo espaço. Era importante, se ela tivesse que lutar ao lado deles. Ela apertou os dedos na arma em suas mãos. Ela esperava por este dia há dois anos. Doze, na verdade. E finalmente chegou.

E ela só teve que esperar três dias até a primeira batalha. "Sigam o que eu fizer..." Bill inclinou a cabeça em direção a Alice em demonstração de amizade, mas as palavras mal tinham saído de seus lábios quando Alice saltou na dianteira e... CABUM! Ela abriu fogo e derrubou um inimigo. Alice seguiu em frente, contando os corpos ao longo do caminho. "Dois... Três... Quatro... Cinco..." Lance também foi pego de surpresa pelo que estava presenciando. Afinal, tudo o que ele vira de Alice até agora era uma garota alegre e bem-educada da base, e não esta que carregava e disparava sua arma rapidamente, com frieza e precisão mortais. "Seis... Sete..." Os disparos da arma de Alice refletiam na cruz de metal em volta do pescoço dela, como estandartes em uma cruzada. Ela não estava mais disparando balas contra seus inimigos, mas gritos de angústia contra o sofrimento do mundo.

"Cara, ela foi ATERRORIZANTE," Bill contou para Lance depois. "Ela deve ter sofrido algum tipo de trauma passado, sei lá. Ei, o que você está fazendo?" Lance, ainda concentrado em sua tarefa, deu as últimas voltas no parafuso da motocicleta antes de erguer os olhos. "Bingo!"

Legal, legal. Mas isso não é meio... afeminado?" Bill perguntou enquanto via as modificações de Lance.

Lance até modificou sua amada motocicleta como um presente para Alice. "Combina com esse seu chapéu. Experimente!" Lance falou para Alice enquanto exibia algo que parecia um sorriso. Alice montou na motocicleta e se viu no retrovisor, abaixando a boina com alegria. Era como se ela estivesse se vendo quando era mais nova. "Bem-vinda à Equipe Contra!", disse Bill enquanto percorria os dedos pela amada motocicleta de Lance, e Alice retribuiu com o sorriso mais feliz de sua vida.

Aos domingos, se Alice não estivesse em missão, estava na missa. Ela também ajudava em qualquer evento de caridade, distribuindo alimentos ou outros suprimentos para os necessitados. Sua compaixão estava reservada para os amigos e familiares. Aos inimigos, contudo, ela reservava o cano frio de sua arma. Mas, em momentos assim, ela voltava a ser a mesma devota piedosa de antes. Toda vez que a congregação se dispersava, ela ficava um pouco mais para falar com o Senhor, e sempre o fazia com a consciência limpa e nada mais em sua mente. Ela acreditava firmemente que fizera a escolha certa e que tudo o que precisava fazer agora era continuar, desde que pudesse ter esse momento de descanso. Suas ações são guiadas por uma única e poderosa imagem: que um dia, as águas do Thelenbach voltariam a ser tranquilas novamente.

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B artilharia
encantadora

Sinta o gostinho do meu canhão!

Sheena é uma menina bonita e alegre que passou a infância em guerrilhas com o pai. E embora ele tenha se recusado veementemente a dizer uma palavra que fosse sobre a sua mãe, entregou a Sheena um medalhão com uma foto dela. Sheena é conhecida por usar táticas de guerrilha no campo de batalha. Familiarizada com armas pesadas, ela é uma guerreira ágil cuja força de combate enche o coração dos inimigos de temor.

"CABUM!!! Viram aquilo?!" Sheena gritou de forma atrevida quando o tanque à distância foi reduzido a sucata. Um fio de fumaça escura, semelhante à de um motor a diesel, saía do canhão em suas mãos.

"Tio Bill, por favor, diga que acabamos por aqui..." Sheena fez uma careta para Bill Rizer, que supervisionava seu treinamento no campo de tiro.

"Não me venha com essa cara... Tudo bem, pode ir..." Apesar do tom, no fundo Bill tinha enorme consideração por essa jovem membro da Equipe Contra, que sempre inventava um jeito novo de surpreender o inimigo. Ela sozinha dava conta de meia dúzia de Falcões Rubros de uma vez.

"Viva! Hora de comer brownie! Valeu, Tio Bill! Até mais, Tio Lance!" Antes que Bill conseguisse dar uma última palavra, Sheena já havia desaparecido.

"Essa menina... O pai dela deve ter colocado alguma coisa na comida quando ela era criança." Lance Bean balançou a cabeça, seguido por um aceno. O treinamento do dia havia acabado, mas, como de costume, ele e Bill foram os últimos a sair do campo de tiro.

"Acho que devemos agradecer à mãe dela por este pequeno prodígio. Ela deve ter tomado alguma coisa durante a gravidez, ou algo do tipo," Bill riu. "Mas não importa se estamos lutando nas colinas, nas florestas ou nas ruas, geralmente enfrentamos uma força muito maior do que a nossa. Sheena pode ser jovem, mas ela é a nossa especialista em táticas de guerrilha."

Sheena entrou na cafeteria da base Contra e viu SnowBear esperando por ela no canto, com o bolo já na mesa. "Coelhinha!" Gritou SnowBear, abrindo os braços sem hesitação.

"Urso Branco!" Sheena se jogou na direção do abraço de SnowBear e começou a esfregar as bochechas rosadas contra aquela barriga quentinha e cheia de pelos.

"EPA! Cuidado onde coloca esse canhão!" Um cheiro de queimado pairou no ar, e Sheena percebeu que havia apoiado o cano quente da arma no colo do Urso Branco, onde agora havia uma marca redonda de pelo chamuscado. "Querida, eu preferia mais uma rosquinha..." SnowBear deixou pender ligeiramente o queixo quando fez uma careta.

"Ha! Acho que é por isso que me chamam de Artilharia Encantadora!" Sheena respirou fundo e soprou com toda a força a queimadura no joelho de SnowBear. "Melhor assim?", ela perguntou.

"Sem problema! Não senti nada!" SnowBear pegou Sheena com um movimento suave e a colocou na cadeira. A ferida no joelho doía um pouco. "Aqui está, querida. Guardei o melhor pedaço do brownie para você." Fang, que também estava lá, decidiu se intrometer: "E eu ajudei a escolher."

O Urso Branco era amigo da Sheena desde os tempos do pai dela nas guerrilhas, quando ela também conheceu Fang, seu fiel... cachorro? Lobo? Lobisomem? O que quer que fosse, para Sheena, Fang era seu protetor mais fiel. Já que o pai dela nunca a levava em missões, sempre que Sheena ficava para trás brincava com Fang de polícia e ladrão. Claro que o pobre Fang era sempre o ladrão. Sheena, que tinha uma força incrível para a idade, sempre terminava em cima de Fang, que implorava para terminar a brincadeira. As brincadeiras favoritas da pequena Sheena nunca foram tradicionais, como "brincar de casinha", principalmente porque sempre envolviam o cheiro de metal e óleo para arma. As brincadeiras eram sempre sobre guerrilhas, exércitos de resistência, etc., e ela não usava uma arma de brinquedo, e sim uma de verdade. De Gatlings a lança-foguetes, ela brincava com todas. Nem as armas apreendidas do Exército Imperial eram poupadas. Dito isso, ela nunca teve uma arma para chamar de sua até Lance aparecer com o canhão de alta energia transformador. A outra habilidade especial da Sheena é sua velocidade: ela parece um fantasma no campo de batalha, mesmo usando armas pesadas. O Coronel Bahamut, que era um bom amigo de seu pai, a elogiava por ser uma mestre em táticas de guerrilha desde uma tenra idade. Sempre que isso acontecia, Sheena mexia no medalhão por cima da camisa. Ela acreditava que cada vida perdida significava outra estrela no céu.

O prazer de Sheena com o brownie foi interrompido por um estrondo vindo da porta da cafeteria. Um enorme zumbi tinha acabado de entrar. Ele olhou para os lados, e então começou a avançar na direção de Sheena. Ela estava prestes a empunhar o canhão para ensinar uma lição ao zumbi quando ele parou diante dela. O medalhão que ela estava usando chamou a atenção dele...

"Opa! Pelo visto, alguém se esqueceu de trancar a porta do laboratório!" Fang também ficou surpreso com o surgimento repentino desse personagem.

"Por que ele está olhando para o seu pingente assim? Hmm... Mas eu preciso dizer, sinto que já o vi em algum outro lugar..."

Sheena ergueu a cabeça para olhar para seu cão estúpido, e sua raiva transbordou. Ela gritou com Fang: "O que está esperando? Livre-se dessa coisa horrorosa agora mesmo!"

"Sim, senhora!" Fang saltou na direção do zumbi com um braço para trás. "Tome aqui um Punho Explosivo!" Fang acertou o alvo em cheio, e o zumbi gigante caiu de costas.

Bill e Lúcia Zero chegaram ao local e viram Sheena sorrindo para eles, e disse: "Opa, alarme falso. Nada para se ver aqui! Embora eu deva dizer que esse cara esquisito me deu um susto, então você me deve uma janta hoje, Zero!"

"Claro", respondeu Lúcia Zero. "O zumbi fugiu do Doutor. Desculpe por isso." Com a ajuda de Fang, ela arrastou o zumbi de volta para o laboratório.

"Ei, termine o seu brownie. Você vai se sentir mais calma", disse SnowBear enquanto pegava Sheena do chão e a colocava de volta na mesa. Os olhos dele repousaram no pingente pendurado no pescoço dela, e ele rapidamente desviou o olhar. Sheena continuou comendo o brownie, segurando o medalhão o tempo todo. A imagem do zumbi de olhos fixos ainda estava em sua mente, e ela ficou se perguntando: qual era a relação entre o zumbi, SnowBear e Fang? E como sua mãe estava envolvida nisso tudo?

O medalhão de Sheena havia sido deixado por sua mãe, e tinha uma foto dela. Sheena não tinha nenhuma lembrança da mãe. Suas primeiras memórias eram dos dias de guerrilha com o pai, que nunca, jamais falava de sua mãe. Ela só podia imaginar como era a mãe olhando para a foto. Certa vez, na hora de dormir, o pai de Sheena estava lhe contando uma história quando, de repente, ela perguntou sobre sua mãe, e não foi a primeira vez. Como sempre, ele não disse nada. Mais tarde naquela noite, porém, o pai de Sheena colocou um coelhinho de brinquedo rosa ao lado do travesseiro da Sheena. Sheena, que ainda não estava dormindo, pegou o coelhinho, segurou-o bem firme e começou a procurar a estrela mais brilhante no céu noturno. Ela passou a noite inteira conversando com a estrela.

Quando seu pai morreu, Sheena sabia que haveria mais uma estrela no céu naquela noite.

"Coelhinha..." SnowBear gentilmente chamou Sheena, que estava perdida em pensamentos. Sheena guardou o medalhão embaixo da camisa. Ela limpou o chocolate no canto da boca com o antebraço, antes de se virar para o Urso Branco e fazer outra careta para ele.

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A urso branco

Aproveite a batalha, não se preocupe!

Tal como Fang, SnowBear é um soldado que sofreu bioengenharia, criado usando tecnologia de modificação genética. Depois de escapar do laboratório onde foi criado, SnowBear entrou ainda muito jovem para um grupo de guerrilheiros. Anos depois, ele entrou para os fuzileiros navais da Federação da Terra. SnowBear, um guerreiro habilidoso e valente, exerceu um papel fundamental na Guerra Alienígena.

"Bip... bip... bip..." O monitor cardíaco estava ligado a ele, e seu corpo estava coberto por eletrodos conectados à máquina, bem como pelos ferimentos sofridos em batalha. Duas enfermeiras o examinavam. SnowBear estava inconsciente desde que fora retirado do campo de batalha e transportado de volta para cuidados médicos, e o Dr. Mandrake recomendou que ele fosse submetido a uma cirurgia. O cheiro das compressas com álcool e do desinfetante era forte. Para SnowBear, deitado na mesa de cirurgia, era como se ele tivesse retornado a um lugar muito familiar. Embora parecesse estar inconsciente, seu córtex cerebral seguia em atividade. Era como se SnowBear tivesse sido levado de volta àquele laboratório branco com o qual estava tão familiarizado. Parecia que ele estava lá.

Uma casa toda pintada de branco com quartos pouco amigáveis. Uma parede com desenhos: uma foca aqui, um urso polar ali... Um longo uivo veio do quarto ao lado. Provavelmente de algo ou alguém que perdera a cabeça. Talvez um lobo ou um cachorro? SnowBear ouviu a porta se abrir. Além do portão de ferro, emergiu uma mulher de 20 e poucos anos. Ela estava trazendo uma refeição para SnowBear. "Etranzi? É você? Senti tanto a sua falta!" Etranzi foi até SnowBear e deu-lhe um tapinha gentil na cabeça. Em seguida, ela ofereceu um pouco de sua comida favorita: peixe, que ele engoliu alegremente sem se preocupar com nada.

Dentro da sala de cirurgia, o Doutor mandou a enfermeira anestesiar SnowBear. SnowBear não conseguiu evitar uma leve fisgada quando a agulha penetrou seu corpo.

SnowBear engoliu o peixe que estava no prato e ergueu os olhos com um sorriso sincero. Contudo, Etranzi havia de alguma forma se transformado em uma mulher muito mais velha que segurava não só comida nas mãos, mas também uma agulha e remédios. "Etranzi! Por que você está fazendo isso comigo? Por que você está agindo como os outros? Pensei que fôssemos amigos!" O corpo de SnowBear começou a se tensionar. A mulher respondeu: "Você precisa se acalmar, SnowBear. Não queremos machucar você. Estamos apenas tentando tratar seus ferimentos!" SnowBear respondeu: "Você está mentindo! Vocês, humanos, continuam me torturando! Eu não vou mais tolerar isso!"

O Doutor extraiu cuidadosamente um fragmento de bala de um dos ferimentos de SnowBear e jogou na bandeja. E ele fez isso de novo, e de novo. Parado do lado de fora, observando a sala de cirurgia onde o corpo ensanguentado de SnowBear respirava de forma rasa, estava Fang. Embora ele tivesse perdido a maior parte de sua memória, o que ele via o lembrava dos dias que os dois passaram juntos no laboratório, há tantos e tantos anos.

"Ei, Balofo. De onde você vem?" Um jovem Fang perguntou casualmente a seu novo companheiro enquanto rolava no chão. O jovem urso respondeu: "Não sei bem. Só sei que era muito, muito frio!" E ele encarou Fang, sem saber o que mais poderia dizer. "O negócio é o seguinte. Vou ser seu amigo daqui pra frente", disse Fang, enquanto abanava o rabo diante de SnowBear. E continuou: "E aqui vai um segredinho: se você for bonzinho, a mamãe vai trazer comida, e até escovar seu pelo e acariciar sua cabeça!" SnowBear fez que sim.

"Fang, como você está? Me sinto péssimo!" Anos depois, SnowBear estava preso numa jaula sentindo muita dor após receber uma injeção com uma substância experimental. Ele respirava com dificuldade. "Não... não fale comigo agora... Preciso de silêncio... De um tempo... para mim... E de... comida... Qualquer coisa... para... me esquecer... disso!" Fang, que também havia recebido uma injeção experimental, estava na jaula ao lado. "Por quê? Por que estão fazendo isso com a gente? A mamãe era tão boazinha..." SnowBear perguntou. Ele apoiou todo o seu peso nas barras da jaula, lágrimas escorrendo de seus olhos.

O tempo todo, Fang não saiu de perto da sala de cirurgia. Ele observou tudo com muita atenção, focado em cada fragmento de bala que era extraído do corpo de SnowBear.

SnowBear finalmente acordou, alguns dias depois da operação, ao som de Sheena chamando seu nome. "Ursão! Você voltou! Você me deu um susto! Achei que nunca mais fosse ver você..." Sheena dizia chorando enquanto corria para abraçar SnowBear. "Coelhinha! Eu nunca vou deixar você para trás!" SnowBear sorriu, apesar da dor que estava sentindo.

Sheena pegou um brownie e cortou um pequeno pedaço com uma colher. Ela então levou a colher aos lábios de SnowBear, dizendo: "Ursão, eu sempre me sinto melhor depois de um brownie! Aqui, coma!" SnowBear abriu a boca com dificuldade. Mas, assim que o chocolate encostou em sua língua, ele avistou o colar que pendia do pescoço da Sheena, e foi tomado de uma grande tristeza.

De noite. SnowBear, meio grogue, sentia como se tivesse retornado ao laboratório de sua infância. Porém, desta vez, não havia peixes em nenhum lugar. Em vez disso, apenas pessoas caídas em poças de sangue... Havia um velho careca, um rapaz jovem, e também... Etranzi. No rosto congelado dela estava o mesmo sorriso que ela esboçou logo antes de morrer. SnowBear olhou para ela, e então olhou para suas patas, cobertas de sangue. Fang, em choque pelo que acabara de ver, estava encolhido a um canto e tremia sem parar. SnowBear dirigiu-se a Fang, pisando em várias poças de sangue pelo caminho. Ele o ajudou a se levantar e o arrastou para fora do laboratório. SnowBear acordou do pesadelo apavorado e ensopado de suor. Ele ainda era assombrado pela culpa.

Levou vários meses para que SnowBear se recuperasse por completo. Tomado por uma profunda tristeza, SnowBear retornou ao campo de batalha com ânsia de vingança. Tudo o que ele conseguia ver em sua mente enquanto empunhava o Lança-gelo era Etranzi: os cantos de sua boca voltados para cima em meio a uma poça de sangue, enquanto Sheena sorria para ele.

Quando ela sorria, Sheena parecia a sua mãe...

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B Caçador de recompensas

Ninguém foge das minhas balas.

Catelyn foi salva por Bill e Lance quando era uma garotinha e cresceu sob os cuidados dos fuzileiros. Aos 16, ela ingressou oficialmente nos fuzileiros navais, por recomendação de Lance. Ágil e flexível, Catelyn frequentemente realizava missões de recompensa sozinha. Algum tempo depois, ela deixou a força para virar mercenária. Quando o Falcão Rubro ressurgiu, Catelyn voltou para os fuzileiros navais, entrando para o esquadrão de elite, partindo em missões junto da Equipe Contra.

Tal como o fuzil de precisão que ela carrega, Catelyn é uma assassina fria e silenciosa. Ninguém sabe exatamente o que se passa na mente dela, nem mesmo Bill e Lance, que a salvaram das trevas e a criaram para se tornar uma das mais fortes guerreiras do mundo. Talvez a única maneira de compreender a verdadeira Catelyn seja acompanhando suas missões e abates.

O pai da Catelyn foi comandante sênior da falida Comunidade das Nações. Quando a Comunidade caiu, ele levou Catelyn de volta para sua cidade natal. Lá, na tentativa de escapar do novo governo da Federação da Terra e dar uma vida melhor para Catelyn, ele virou um caçador nas colinas locais.

Claudius Germanicus, que estava determinado a reviver a Comunidade das Nações, estabeleceu a organização Falcão Rubro no ano de 2625 e começou a recrutar seus antigos subordinados. O pai de Catelyn foi forçado por Claudius a entrar para o Falcão Rubro. Entretanto, ao descobrir que Claudius estava conspirando com os alienígenas, ele decidiu abandonar o Falcão Rubro e buscar refúgio junto aos fuzileiros navais com a filha. Infelizmente, quando tentava fugir, ele foi brutalmente assassinado pelo Falcão Rubro. Bill e Lance chegaram ao local e encontraram Catelyn trêmula e apavorada, escondida em meio à vegetação. Eles levaram Catelyn para o quartel-general dos fuzileiros navais, onde ela ficou e, mais tarde, aprendeu a atirar e a lutar. Catelyn tinha 12 anos na época.

A vida no quartel passou rápido, e, quatro anos depois, Catelyn já era uma linda jovem cuja beleza ocultava uma guerreira determinada. A olhos incautos, ela não passava de uma adolescente que gostava de usar fones de ouvido durante o treinamento. Ninguém sabe ao certo o que realmente se passa na mente dessa jovem. Talvez a música estourando o volume dos fones fosse uma companhia necessária para cada bala cheia de ódio disparada de suas armas.

Catelyn entrou para os fuzileiros navais por recomendação de Lance. Com quatro anos de treinamento avançado sob a tutela de grandes guerreiros, além da própria aptidão natural, as missões dos fuzileiros foram moleza para ela. Com o tempo, contudo, Catelyn se cansou de lidar com as missões de recompensa sozinha. Ela precisava de um desafio maior para aprimorar suas habilidades. O fato de Catelyn ser um lobo solitário era fonte de grande preocupação para Lance e Bill. Como ela poderia cuidar de si mesma sozinha? Todavia, sempre que Catelyn voltava de mais uma missão sã e salva e extremamente despreocupada, era como se ela estivesse provando que as aflições e constantes resmungos de Bill eram injustificados.

Catelyn deixou os fuzileiros navais quando tinha 20 anos, dizendo a Bill que queria ser livre. Dissuadido por Lance, Bill decidiu não impedir Catelyn.

Nos cinco anos que se seguiram, Catelyn desapareceu sem deixar vestígios, sendo a única sugestão de sua existência os rumores de suas façanhas...

"Catelyn Caçadora de Recompensas Mata Líder Rebelde"

"Catelyn Elimina Oficial do Governo do País M"

"Catelyn Máquina de Matar Persegue o Líder do Falcão Rubro em Plena Vista"

...

Tudo o que Bill e Lance podiam fazer era ficar atentos às notícias de Catelyn, por mais preocupantes que fossem. Só lhes restava esperar que sua jovem guerreira aparecesse uma vez mais.

E Catelyn finalmente voltou quando o Falcão Rubro ressurgiu. Outra vez, lá estava ela junto dos fuzileiros navais, lutando ao lado de Lance Bean e Bill Rizer, o "guerreiro mais forte".

Ainda assim, ninguém sabia o que havia acontecido com Catelyn nos últimos cinco anos. Tudo o que se sabe é que Bill voltou a reclamar o tempo todo e que a expressão de Catelyn não revela absolutamente nada...

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A Lobisomem

Mão esquerda: canhão. Mão direita: aniquilação!

Uma criatura lupina suspeita de ser um soldado modificado por bioengenharia, embora ninguém saiba ao certo, nem mesmo o Dr. Mandrake. Sofre de episódios de amnésia eventuais e costuma ser perturbado por fragmentos de memórias em momentos diversos. Por fora, no entanto, projeta sempre uma imagem de ferocidade e selvageria.

"7 de maio. Chove.

Meus surtos de amnésia não fazem de mim um lobo feliz... ou um homem feliz.

'Ah, adeus meu amor...' Que música mais triste!

Eu me lembro da casa branca onde eu morava quando era criança e de como a minha mãe e o meu pai me traziam mingau e carne seca todo dia, no mesmo horário. Eu só podia brincar por uma hora naquela época, mas era muito feliz mesmo assim. O que será que aconteceu com aquele urso balofo que vivia do meu lado? Não vou conseguir farejá-lo se ele correu para o meio do gelo e da neve.

Que estranho. Por que eu comecei a pensar no passado? Quando amanhecer, eu posso não me lembrar de mais nada."

-Fang estava sentado na cama, encostado na escrivaninha para escrever em seu diário. Se ele fosse honesto, diria que a ideia de dormir em uma cama ainda era muito estranha.

Mais de uma vez, ele acordou e percebeu que estava embaixo da escrivaninha. Ele não conseguia afastar a sensação de que a cama vazia pertencia à Sheena. Sheena era sua mestra quando ele estava com a guerrilha, mesmo que ela nunca tivesse pagado um dia de remuneração. Embora ele nunca tivesse realmente compreendido que os guerrilheiros estavam do lado certo da história, tudo fazia sentido quando ele lutava ao lado de Sheena. Mas hoje, ele não passava de um pistoleiro de aluguel, contratado pelo Dr. Mandrake. Ele estava aqui, no laboratório do Doutor, nas profundezas de uma floresta tropical no México, sem ideia do que deveria fazer. Bem, pelo menos ele tinha parado de lutar... Mas ele detestava passar tempo com os zumbis.

"10 de maio. Chove de novo.

Está caindo uma chuva fraca essa noite. As gotas caem suaves, mágicas, como um cobertor reconfortante. Que noite perfeita para uma bebida!

Ha! Não acredito no que eu acabei de escrever... Isso é quase poesia! Eu devia ser poeta.

É interessante ver todas as criaturas que dá para encontrar nessa floresta: tigres, bárbaros, zumbis... Eu vou escrever sobre todos nos meus próximos poemas."

-Fang parecia estar sofrendo mais um episódio de amnésia, o que, pensando bem, pode não ser algo tão ruim, especialmente considerando o quanto ele é inadequado para uma vida sem um mestre ou mestra para servir.

"3 de junho. Nublado.

Que raios de maníaco gigante é aquele? Ele até sabe dar o Super Gancho! Mas o quê?! Não me diga que ele também sabe dar o Combo de Gancho! Ah, que seja! Ele vai ver só!"

-O "maníaco gigante" era conhecido como Soldado Demoníaco, uma nova geração de zumbis desenvolvida pelo Dr. Geo Mandrake: mais flexível e com aparência mais humana em comparação com os anteriores. O Doutor sabia que não conseguiria se esconder para sempre nas profundezas da floresta, desenvolvendo e testando sua fórmula versão 3.0, então precisava de algum tipo de "arma secreta" para manter os visitantes indesejáveis à distância. Esse era o Fang. Ele sempre tinha que ser o maior e o mais forte de todos... mesmo que não fosse.

"4 de junho. Segue nublado.

Pelo visto, o Soldado Demoníaco realmente dominou o Shoryuken. Parece que estou perdendo a utilidade novamente. Vou receber minha sacola de comida de cachorro de novo amanhã. Espero que o Doutor não decida diminuir a minha remuneração!"

-Naquela noite, Fang tentou praticar o Hadouken, mas sem sucesso. No dia seguinte, Fang não estava em lugar algum, então o Doutor mandou alguém ir atrás dele. O mensageiro encontrou Fang jogado na cama, a língua pendurada para fora da boca, caída de lado, em um quarto salpicado pela luz que passava pelas árvores do lado de fora da janela.

"5 de junho..."

-Fang não conseguiu anotar nada no diário neste dia, porque foi quando ele foi capturado. A Equipe Contra finalmente localizou o laboratório na floresta tropical e lançou um ataque, e não demorou muito para que Fang fosse levado. Ficou claro que o Hadouken e o Shoryuken não eram os golpes mais poderosos do mundo. E o que deu naquele canhão acoplado no seu braço esquerdo? Ele não disparava onde Fang queria que as balas fossem. Ele começou a se sentir bobo, uma sensação que nunca tivera antes. Ele ainda tentava lutar para proteger o laboratório, mas o Doutor já havia partido há tempos.

"10 de junho. Ensolarado.

O céu cinzento se foi e o sol voltou a brilhar. Mas ainda me sinto deprimido. Não só não recebi a remuneração desse mês, como também fui capturado por uma organização chamada... Contra, ou algo do gênero. Eles estão procurando o Doutor. Tudo bem, acho que vou pedir para eles pagarem meu salário então. Espere aí... Tem uma garota com rabo-de-cavalo com eles, e também um urso gigante... Onde foi que os vi antes...?"

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A Valquíria Mecânica

Quem... Quem sou eu?

O Dr. Geo Mandrake perdeu sua amada filha Lúcia na guerra, e ficou anos estudando tecnologia celular e engenharia genética para tentar trazê-la de volta à vida. O primeiro de seus espécimes a ganhar consciência ganhou o nome "Zero".

... Um corpo frio e sem vida jazia em uma cápsula criogênica enquanto a Equipe Contra chegava ao Arquipélago Galuga. Tratava-se de um clone criado pelo Dr. Geo Mandrake na tentativa de trazer sua falecida filha Lúcia de volta. No entanto, seu experimento não teve sucesso, e o corpo inanimado acabou se tornando um dos "espólios de guerra" da Equipe Contra. Foi de volta à base dos fuzileiros navais que o projeto finalmente se concretizou.

A tecnologia pode ser usada para criar zumbis, mas também para gerar vida. Foi Bill Rizer quem a chamou de "Lúcia Zero". Obviamente, embora o clone se parecesse com Lúcia e soasse como Lúcia, era uma folha em branco. Ela não tinha memórias, emoções, desejos nem motivações. Era como se tivesse nascido para o combate. Então, ela começou a treinar sob a tutela da Equipe Contra. Ela virou Lúcia Zero, a Dama da Batalha: pura de coração e de aparência estonteante.

Zero era uma guerreira corajosa. Algo que ela entendia muito bem é que precisava seguir adiante com bravura, não importava o quê. Era sua razão de ser, e quem ficasse em seu caminho tinha que morrer.

Para Zero, a vida era simples e direta. Ela tratava os amigos, os inimigos e a si mesma com total e absoluta objetividade. Ela era amigável com seus aliados e seguia ordens sem questionar. Era fácil trabalhar com ela, especialmente porque nunca, jamais proferia uma reclamação sequer. Para ela, a batalha era apenas um jogo. Tudo o que ela fazia o dia todo era puxar o gatilho, puxar o gatilho, puxar o gatilho... É claro que ela também tinha seus momentos de dúvida. Ela se questionava sobre o passado e se perguntava sobre Lúcia. Esses pensamentos, no entanto, sumiam na mesma velocidade em que surgiam. "Mas... quem sou eu?". "Eu sou Lúcia Zero. Isso, e nada mais."

Porém, ela nunca confrontou realmente a questão de sua identidade até ficar cara a cara com o Dr. Mandrake novamente. Foi durante uma batalha que Lúcia Zero se distanciou do Doutor, e foi outra batalha, em um porto controlado pelo Falcão Rubro, no Golfo do México, que reuniu os dois. Mas nem tudo foram beijos e abraços quando os dois se reencontraram. Mesmo que, tecnicamente, o Doutor fosse quem lhe deu a vida, tanto no sentido científico quanto biológico, Lúcia não fazia ideia de como responder àquelas demonstrações genuínas de afeto. Afinal, uma das coisas que ele não lhe deu foram suas memórias. Ela falou pouco durante o encontro, não por despeito, mas porque realmente não tinha escolha.

A Equipe Contra finalmente conseguiu convencer o Dr. Mandrake a ficar para trás e cuidar de Lúcia Zero. Zero começou a se sentir mais em casa. Ela tinha em Bill e Lance seus modelos, a Operadora Tina e Pulse eram seus amigos, e agora ela tinha também um pai. Claro, os dois falavam bastante sobre a Lúcia no começo. Mas, com o passar do tempo, o Doutor começou a chamá-la de "Zero". Enquanto isso, Zero começava a construir a própria vida também, com novas memórias que eram só dela.

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